
O Encontro Formativo de Educação Antirracista, promovido pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), teve seu encerramento nessa terça-feira, 15, de forma grandiosa e enriquecedora, com a palestra da escritora Djamila Ribeiro. Foram dois dias de muito aprendizado, com palestras, rodas de conversa, oficinas e apresentações culturais, que agregam para a construção de uma educação tocantinense mais antirracista. Mais de 700 educadores das 13 superintendências regionais de Educação (SREs) participaram da formação em Palmas.
A iniciativa, que tem como objetivo fortalecer práticas pedagógicas antirracistas nas escolas tocantinenses, faz parte do projeto Poder Afro de Combate ao Racismo nas Escolas Estaduais e do Programa de Fortalecimento da Educação Indígena (Profe Indígena) e integra a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq).
Após uma manhã de trocas de conhecimento com a oficina “Letramento Racial e Articulação da coleção ‘Minha África Brasileira e Povos Indígenas’”, durante a tarde, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro apresentou a tão esperada palestra “Lugar de fala nas escolas: por que a representatividade transforma realidades?”, exclusiva para os profissionais previamente inscritos.
O secretário de Estado da Educação, Fábio Vaz, ressalta que a escola antirracista tem que ser uma prática diária das unidades. “É uma entrega do Governo do Estado, é uma política forte e empoderada que precisa ter aderência nas escolas, e essa mudança significativa só se faz com o professor. A entrega do material estruturado para cada aluno é para que seja trabalhado diariamente nas escolas, não apenas em datas comemorativas, mas que essa discussão seja constante dentro do ambiente escolar”.
O titular da pasta também divulgou o Selo de Educação Antirracista, uma iniciativa da Seduc que reconhece publicamente o compromisso das escolas com a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo, e informa que seu lançamento ocorrerá durante o mês de maio, além do lançamento das obras literárias “Minha África Brasileira e Povos Indígenas”, que serão distribuídas para toda a rede estadual.
Para a técnica de Currículo e Formação de Paraíso do Tocantins, Carla Priscila de Oliveira, a formação tem uma representatividade especial por ser uma mulher negra. “Vivi na pele muito do que está sendo trabalhado e contado aqui. Então, esse momento é muito importante para que a gente possa desenvolver um trabalho significativo. Essa é uma formação histórica, um divisor de águas na educação do Tocantins e numa sociedade antirracista. E essa visibilidade, esse é o momento de mostrar que estamos aqui, que chegamos e viemos para ficar”.
O professor de História de Araguatins, José Ricardo Brito Sales, afirma que o encontro vai ajudar a transformar a realidade dos estudantes. “Eu acredito que essa formação tem muito a contribuir, porque tem a ver com a realidade dos estudantes, o cotidiano deles. É aquilo que Paulo Freire já nos preconizava: agir, refletir e agir. Devemos refletir sobre a nossa ação enquanto docente, a nossa função enquanto cidadão e levar essas reflexões para os estudantes para que eles possam mudar a realidade não só da comunidade escolar, mas também de toda a comunidade em que estão inseridos”, pontuou.
Lugar de fala nas escolas
O momento mais aguardado da formação foi protagonizado pela escritora, ativista e também educadora Djamila Ribeiro, que trouxe um debate importante com a sua palestra “Lugar de fala nas escolas: por que a representatividade transforma realidades?”.
A escritora, que é uma das principais vozes do movimento antirracista no Brasil, trouxe em sua fala assuntos extremamente atuais e necessários, como o racismo científico, um contexto histórico sobre como a desigualdade foi construída, o mito da democracia racial, diversidade, racismo recreativo e, por fim, sobre os locais de fala e a importância da representatividade.
A educadora explica que o conceito de lugar de fala nas escolas se torna necessário por trazer vozes que, historicamente, foram silenciadas. “É importante para a gente pensar como é fundamental trazer várias vozes, romper com essa visão única de escola e contar a história a partir da perspectiva dos povos negros, quilombolas, indígenas, de todos os povos que compõem o nosso país. No passado, aprendemos a história só por uma perspectiva. Então, pensar lugares de fala é pensar nessa multiplicidade de vozes e trazer todas elas com o mesmo significado e importância para a sala de aula”.
Além da palestra, a ativista também vai visitar escolas quilombolas da região do Jalapão. “Em 2021, a gente publicou um livro chamado ‘Mulheres Quilombolas’ e duas das autoras são aqui de quilombos do Tocantins, então eu tinha muita vontade de vir, quero conhecer um pouco mais da comunidade, conhecer o trabalho que está sendo feito. É uma alegria muito grande, porque eu acho que temos que valorizar cada vez mais esses territórios. E eu estou indo muito no lugar de aprendiz, de estabelecer essas trocas e estou bastante feliz por isso”, explicou.
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