
O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) finalizou, no domingo, 22, a programação da abertura oficial daAgenda Ambiental 2026 do Parque Estadual do Lajeado (PEL), em Palmas. A iniciativa, que teve início na sexta-feira, 20, buscou sensibilizar a população quanto à importância da conservação ambiental, fomentar o turismo ecológico e incentivar a integração entre natureza, cultura, esporte e comunidade.
O evento reuniu atividades voltadas à educação ambiental, à valorização dos saberes tradicionais e ao uso sustentável da unidade de conservação. A supervisora do PEL, Camilla Muniz, destacou a diversidade das ações, planejadas para alcançar diferentes públicos. “O evento foi pensado para que, em cada momento, tivéssemos um público distinto, de forma que muita gente visitasse o parque nesses dias, com bastante aproveitamento de tudo o que temos para oferecer. A ideia é criar esse pertencimento e, como consequência, a valorização do cerrado e do ambiente natural, garantindo assim a conservação, que é o objetivo da Unidade”, afirmou.
A brigadista florestal Juciely Rocha explicou que a programação do ano deve seguir o mesmo caminho, buscando trazer a comunidade para o PEL. “Nossa agenda ambiental já está planejada para o ano e, em cada data comemorativa, faremos atividades voltadas à comunidade. A intenção é atrair não apenas turistas, mas principalmente a população local, pois muitas pessoas moram em Palmas e ainda não conhecem o Parque. Além de proteger, a unidade busca integrar as pessoas e promover um senso de pertencimento”, destacou.
Educação Ambiental
A programação incluiu dinâmica educativa sobre a Baunilha do Cerrado, conduzida pela professora do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Marta Heloísa Mairesse. A atividade integra o projeto de pesquisaLevantamento das espécies de baunilha de ocorrência nos Parques Estaduais em áreas de preservação integral do Tocantins, Brasil, que visa mapear e identificar as espécies que ocorrem espontaneamente nas áreas dos parques do Cantão, Jalapão e Lajeado.
A professora Heloísa Mairesse ressaltou a importância da integração entre academia e Unidade de Conservação (UC). “Levar instituições de ensino superior e a comunidade local para dentro de parques estaduais de proteção da biodiversidade é fundamental para integrar a conservação ambiental ao desenvolvimento social e científico. Essa interação transforma as unidades de conservação emespaços educadores, promovendo a educação ambiental, a pesquisa, a geração de conhecimento e o bem-estar das pessoas”, relatou.
Heloísa também apontou para a mudança de perspectiva da comunidade em relação ao próprio espaço de conservação. “Essa iniciativa é fundamental para transformar áreas verdes em espaços de vida ativa, de coesão social e de conservação sustentável. Essa integração cria uma gestão participativa em que o conhecimento científico se une ao saber local, aumentando o engajamento na preservação e o bem-estar social”, completou.
A dinâmica incluiu o plantio de mudas de baunilha nativa e a realização de roda de conversa, que reforçou a possibilidade de aliar a conservação da biodiversidade local à geração de renda sustentável (sociobioeconomia). A baunilha é uma orquídea trepadeira; algumas de suas espécies podem ter alto valor comercial, e o cultivo fortalece a bioeconomia da região. O projeto encontra-se atualmente na fase final e conta com recursos financeiros do Edital Fapt/Naturatins-Meio Ambiente.
A atividade contou com a participação de acadêmicos do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Gurupi. A estudante Samara Noleto destacou sua experiência após um dia de atividades. “Gostei bastante da experiência aqui. Explicaram bastante sobre a baunilha, como é usada e onde é usada, em todo lugar por que passamos. As palestras também foram excelentes; aprendemos bastante sobre plantas medicinais”, comentou.
Cultura
O PEL também sediou o lançamento do livroA Mata Que Cura, de dona Felisberta Pereira da Silva, seguido por roda de conversa sobre ancestralidade e saberes da medicina popular.
Felisberta contou que o livro era um sonho antigo, finalmente realizado. A obra reúne conhecimentos transmitidos por gerações, que ela luta para preservar. “Vocês não imaginam a alegria de divulgar esse conhecimento do Cerrado, da medicina que chamam de alternativa. É uma coisa gratificante, saudável, e que luto para que não se perca, não morra. São plantas que realmente curam, que vale a pena usar, e é um conhecimento que gosto de divulgar, de repartir, de dividir, de passar para as pessoas. Vir aqui nesse Parque, nesse Cerrado lindo, para fazer esse lançamento é um sonho para poucos. É um sonho importante”, reforçou.
A programação cultural contou ainda com roda de capoeira, realizada pelo Movimento Cultural de União da Capoeira Angola no Estado do Tocantins (TOCA Angola). O professor e pesquisador Nereu Cavalcanti enfatizou a importância da roda como expressão cultural ligada ao meio ambiente e aos territórios. “A capoeira angola, desde sua origem, está ligada ao território e aos biomas. Trazer essa prática para dentro do parque é muito significativo, porque reforça a relação entre cultura, natureza e ancestralidade. Também participamos de momentos de diálogo, mostrando a importância de uma ecologia de saberes. Unir capoeira, ciência e meio ambiente é uma forma de fortalecer a consciência ambiental e valorizar os saberes tradicionais”, afirmou.
Pedal ecológico
O pedal ecológico foi uma das atividades da programação, realizado em parceria com os grupos Brutus Bikers, Lajeado Pedalando, Onças do Pedal e Apaixonados pelo Cerrado Coyotes do Pedal. Durante o evento, foi anunciada a criação de um circuito de trilhas para o ciclismo no Parque, que será denominado em reconhecimento à trajetória de Jhoatan Oliveira no ciclismo na região.
Com percurso de aproximadamente 33 km, o pedal ecológico reuniu cerca de 60 ciclistas de grupos de Palmas e região, promovendo a prática esportiva aliada à conscientização ambiental.
A presidente do grupo Coyotes do Pedal, Suzy Silva, ressaltou a importância da parceria entre os ciclistas e o Parque, além do papel dos praticantes na preservação ambiental. “Nós, juntamente com outros grupos de pedal e com a equipe do parque, propusemos esse pedal para que a unidade esteja cada vez mais aberta aos ciclistas. Além da prática esportiva, também podemos ajudar na preservação, inibindo a presença de caçadores e colaborando com quem já atua aqui. A ideia é continuar realizando esses pedais e fortalecer cada vez mais essa parceria”, declarou.
A participante Isabel Cristina Tavares, de 57 anos, destacou a experiência vivida durante o pedal, especialmente pelo acolhimento dos demais ciclistas. “Foi praticamente o meu primeiro pedal e, para mim, uma experiência maravilhosa. Houve muito companheirismo, as pessoas foram ajudando, dando dicas nas subidas e orientando. Consegui completar o percurso e fiquei muito feliz. O lugar é lindo, tem momentos de adrenalina, mas é muito prazeroso. Com certeza, quero participar mais vezes”, revelou.
O jovem participante Lucas Barbosa, de 12 anos, manifestou entusiasmo com a experiência e incentivou outras pessoas a praticarem atividades ao ar livre. “Este é o segundo pedal de que participo. Gostei muito da experiência e recomendo que todos venham pedalar também, porque o esporte proporciona uma vida mais saudável”, afirmou.
A programação foi encerrada com trilhas ecopedagógicas guiadas por diferentes fitofisionomias do Cerrado, abrangendo o Cerradão, a Trilha da Integração e o Brejo da Passagem. A atividade teve ênfase na interpretação ambiental e na sensibilização para a conservação dos ecossistemas.
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